segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Buarquiando...

Sabe, estava escrevendo um novo texto e com o de habitual escutando música, eis que de repente surge uma das vozes mais lindas que meus ouvidos gostam de ouvir, Chico Buarque.
Não tem como explicar os efeitos que suas músicas causam nessa pequena escrevente. Gostaria de ter ao menos um quinto de sua genialidade. Infelizmente não tenho, no entanto posso tê-lo cantando aos meus ouvidos. Segue uma das tantas que fazem meu coração feliz. 


Tanto Amar


Amo tanto e de tanto amar

Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita
Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita
A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita
Se os seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura
Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra
É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro
Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar
E outro me fita
Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito
Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Política?

Sabemos que o termo política tem sua origem grega - politéia, que é relativo a polis que pode se referir tanto a cidade/Estado quanto as definições de vida urbana, como comunidade, sociedade, coletividade e afins. Mas definitivamente não é sobre a origem clássica nem sobre os conceitos de Aristóteles que se resume esse texto.  Na verdade isso não é um texto com pretensões políticas partidárias, tampouco um estudo aprofundado da questão. Esse texto é mais uma visão singela do que penso em alguns momentos sobre política. Pode parecer pejorativo para os estudiosos e céticos, ingênuo, incorreto, mas creio que ela vai além do que se diz, além do que se vê. 


Acredito que a política é feita a todos instantes, nas conversas informais, na hora do cafezinho, reuniões de amigos. Na verdade somos políticos e fazemos política a todo momento. Dissertamos nossas opiniões sobre as coisas com tamanha veemência e acabamos por não darmos conta de quão políticos somos. Nascemos sobre essa óptica onde devemos por natureza ser politicamente correto, ecologicamente correto, percebe? Dentro de nossos lares, nos bancos das escolas, das faculdades, aprendemos sobre ética e moral, e tudo está ligado a política, nem que apenas a política de boa vizinhança. A política está incrustada em nossa vida, enraizada desde nossos primeiros passos no mundo, é iniciada pela educação que nossos pais nos atribui e moldada por nossas percepções, pelo ambiente em que vivemos e com quem nos relacionamos. 
Por esse aspecto acho realmente engraçado quando alguém diz que não gosta ou não conhece política, talvez realmente não tenha conhecimento da política clássica (aquela ali citada acima), mas em algum momento da vida já a exerceu. A política existe sob de várias formas, e atua em nossas vidas diretamente, nas amizades, ou como parte da sociedade, talvez muitos não a reconheça porque ela pode se apresentar de outras maneiras com outros nomes, uma ideologia, um gosto musical, um programa de TV favorito, um livro, mas não se engane ela está aí em todos lugares. A nós cabe consciência e não apenas julgamento. É muito fácil criticar, julgar e até condenar atitudes alheias, mas o que eu faço em prol a uma mudança? O que eu faço para mudar esse quadro. 
Grandes movimentos não se fazem diante de multidões, grandes movimentos pode começar em casa, no seu circulo de amizade ao seu lado onde você não enxerga. Você já parou para pensar que aquele amigo do outro dia que fazia tempo que não falava contigo quando te deu oi pedia na verdade socorro? Agora mesmo enquanto você lê essas linhas deve ter alguém que se sente só e não tem coragem de assumir e pedir ajuda, mas esse alguém certamente precisa de você, da sua paciência, do seu carinho e acima de tudo da sua amizade. Sim amizade também é política, e você pode ser um político do bem que ajudara uma pessoa que por sua vez ajudara outra, que ajudara outra, que ajudará outra e oura e outra... O movimento pode começar “pequeno” e inicialmente pode até parecer insignificante, mas será sempre grandioso para quem o recebe. Abra os olhos.


"A esperança é o sonho do homem acordado."
Aristóteles

sábado, 2 de outubro de 2010

Então...

Eu diria isso se já não tivesse dito..


Por definição há cor,
Por definição há doce,
Por definição há amargo,
Mas na realidade há átomos e espaço.
Demócrito

sábado, 25 de setembro de 2010

Temporal


O normal de quando as luzes se apagam e tudo se faz silêncio eu vivo. Eu me evito para não encontrar as pessoas. De fato não estava preparada para isso e me falta um pouco de coragem para simplesmente seguir. Parece que abrindo certas gavetas do passado encontrei tantas coisas que gostaria de evitar e agora tudo se faz pesado. Por favor não me olhe com esses olhos inquisidores e tampouco esmiúce minha fragilidade. Não aguento esses olhos julgadores. Por favor não me questione tanto, acho que não sobrevivo a tanto julgamento. Por favor, nesse momento se for capaz faça o que diz a canção...

"me abraça, me aceita
  me aceita assim meu amor
  me abraça, me beija
  me aceita assim como eu sou
  e deixa ser o que for..."

... e não diga nada, se possível, se houver ao menos uma intenção de minha parte de dizer algo, apenas ouça. Não serão teses, argumentos justificáveis, nem ao menos opiniões... Serão apenas palavras, palavras soltas para juntas tornar-se um desabafo e será apenas isso um desabafo. De uma menina assustada, de uma moça carente, de uma mulher confusa, de uma pessoa... 


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Doce Anonimato

Aaaah os anônimos... Tecem opiniões por tudo, de todas as formas, por vezes especulam e falam o que bem querem sob a proteção do doce anonimato.
Anônimos estão aí por toda parte, pode ser eu, pode ser você, pode ser qualquer um. Muitos dizem que quem não tem nome não existe, não significa nada, no entanto, o anônimo pode despertar curiosidade, perplexidade, angustia de não saber quem é esse covarde que se esconde atrás de uma máscara...
Covarde??? Não seria o pobre vivente apenas tímido(a) ?
Não seria uma pobre alma atormentada pela aflição da possível rejeição segura no aconchegante anonimato?
Pois é, são muitas as questões que podem ser levantadas, mas inicialmente comecei esse texto porque (in)felizmente minha vida anda rodeada dos ditos anônimos e isso às vezes desperta os instintos mais selvagens da minha curiosidade. Nossa, que dramático não?!
Bom voltando parte desse assédio é por conta das redes sociais e como dizem por aí quem tá na chuva é pra se molhar né? Pensa bem, se eu quisesse me isentar dessa onda anônima não participaria de nenhum tipo de rede social.
Eu poderia agora tecer uma crítica do que é ser anônimo, das armadilhas, do ônus e do bônus do mesmo. Poderia fazer uma análise etimológica da palavra anônimo, dizer que é oriunda do grego na grafia ανωνυμία (ué eu agora falo grego?) e que quer dizer “sem nome”.
Mas na realidade estou aqui escrevendo exclusivamente para fazer um apelo:
Querido anônimo, saia do armário eu sou legal, não mordo, ficaria feliz em conhecê-lo. =D
Bem mesmo sabendo que esse meu pedido pode se fazer inútil ainda assim o fiz. Não custa ter esperança. 

P.s.: De qualquer forma, obrigada pelas palavras gentis (ou não) que por vezes recebo. Obrigada por despender seu tempo lendo meus devaneios e perdoe a impaciência com seu "doce anonimato". 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pois é...

Estava lendo textos por aí e vi como as pessoas gostam de criar S.I.G.L.A.S. para qualquer coisa. Talvez seja para deixar as coisas mais atraentes, interessantes ou como dizem os jovens de agora mais cool. Acho engraçadas certas manias contemporâneas, esses comportamentos “ditos” inovadores que não inovam nada.
Essa rebeldia sem causa, essa onda banalizada, (sim acho muito banal essa falta de objetivos reais) causa em mim certa estranheza isso não faz parte do meu mundo, acho engraçado... Acho mais engraçado ainda quando me pego falando como se não pertencesse há esse tempo. (acho, acho, acho acho.. só sabe escrever isso mulher?) E como diria uma amiga minha (sabiamente por sinal) estou atrás do meu tempo... 
Ai ai, tá sei que agora poucos entenderam, mas perdoem minha momentânea preguiça, não vou explicar!
Putz, às vezes me dou conta de quão velha eu estou. Estou? Sou? Sempre fui? Sempre achei que fui? Dúvidas! São geralmente elas que me diferenciam da maioria. Mas como eu nunca fui mesmo dada à maioria já nem ligo. 
Talvez minhas convicções sejam mais latentes que as dúvidas. Não sei. Mas que acho engraçado observar o mundo de fora acho mesmo. Como pode? Tanta bobagem, tanto esforço por tão pouco... Perde-se muito tempo com coisas banais, vazias, mas como já disse antes num post desses aí cada um sabe o tamanho de sua dor...  


Nota: achar 
v. tr.
1. Encontrar (procurando ou não).
2. Descobrir, inventar.
3. Ter na conta de.

O Amanhã

Tenho uma amiga que vive brincando de deixar o tempo passar. Amanhã eu faço, amanhã eu ligo, amanhã eu procuro... o amanhã sempre é adiado para o próximo e as coisas simplesmente se vão com o tempo, esse mesmo tempo do amanhã que nunca chega, porque pra ela o hoje é sempre amanhã. 
Não sei se essa atitude é defesa, distração, medo ou desleixo, só sei que o perigo de deixar tanto tempo passar é que infelizmente o tempo não volta, mesmo que a gente queira não volta. O tempo passa, escoa pelas mãos e não volta jamais. Temos poucas chances de fazer a coisa certa, mas se deixarmos sempre para o amanhã podemos perder justamente essa chance.
Sei que pode não fazer muito sentido, mas hoje quando olhei no espelho notei quando tempo tinha passado da ultima vez que me olhei. Vi quanto tempo passou... Naquele momento pude perceber quantos sonhos foram mudados, alguns anulados, outros perdidos pelo caminho, muitos desfeitos, agora já nem sei se eu sonho, já não penso como antes. Não me reconheci na face do espelho e não reconheço, mas os antigos sonhos...